Ervas de Exú na Quimbanda Gaúcha | vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata)
Spermacoce verticillata, conhecida como: vassourinha-de-botão, perpétua-do-mato, poaia-botão, poaia-rosário, falsa-poaia, vassourinha, erva-botão, cordão-de-frade.
A vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata) é uma planta nativa das Américas e tradicionalmente empregada tanto na medicina popular quanto em contextos rituais afro-atlânticos. Do ponto de vista terapêutico, é reconhecida por suas propriedades anti-inflamatórias, analgésicas, antipiréticas, antimicrobianas e antioxidantes, sendo utilizada em infusões, compressas e banhos de assento no tratamento de hemorroidas, varizes, doenças de pele, distúrbios digestivos e dores menstruais. Estudos também investigam seus óleos essenciais, que apresentam atividade inseticida contra pragas agrícolas, indicando a presença de compostos bioativos capazes de atuar sobre organismos diversos — uma característica que, simbolicamente, reforça sua associação com limpeza, proteção e expulsão de agentes nocivos.
Nas tradições religiosas de matriz africana, a planta é conhecida pelos nomes sagrados Iràwọ̀ Ilè e Ewé Abíkóló, sendo classificada como erva de sacudimentos pessoais e domiciliares, práticas destinadas à purificação espiritual e à reorganização das energias do corpo e do espaço. Ela pertence ao elemento fogo, o que indica seu caráter ativo, transformador e expulsivo. Dentro dos cultos bantu, está ligada a Aluvaia, enquanto nas tradições jeje-nagô e ketu é associada a Legba e Esu, e nas vertentes afro-brasileiras como Umbanda e Quimbanda, a Exu. Essas entidades são compreendidas como guardiãs dos caminhos, mensageiras entre os planos e reguladoras das trocas energéticas entre humanos, ancestrais e forças espirituais, o que explica o uso da planta em rituais de abertura, limpeza e proteção.
Salve a nossa matriarca anciã, Maria Mulambo, que traz em sua ancestralidade a força vodu de Granne Erzulie Dantor. Salve o Senhor Zé Pelintra, que em nossa rama se desdobra em sua encantaria das águas dos rios. Salve o Senhor João Caveira, que traz em sua cartola a imensidão da Calunga e a liderança do culto aos mortos da nossa rama.
Aqui, as sementes falam, as reízes crescem e os ancestrais dão frutos.
Thiago Blauth Ferreira, filho de Ruth Blauth Ferreira e Carlos Fernando Ferreira. Líder em terra na Rama dos 4 Caminhos.
Participe, é totalmente gratuito
Núcleo de estudo e pesquisa ancestral
O Núcleo de Estudo e Pesquisa Ancestral é um espaço dedicado à escuta profunda, ao estudo crítico e à vivência espiritual das tradições de matriz afro-indígena por meio do reconhecimento e da valorização dos saberes ancestrais. Nosso ponto de partida é a consciência de que somos frutos de muitas camadas de tempo, história, memória e espiritualidade. Estudar o passado não é um exercício apenas intelectual, mas um mergulho vital nas forças que nos sustentam no presente.
Nosso núcleo se dedica a explorar, por meio de leituras, práticas e partilhas coletivas, temas como genealogia ancestral, culto aos antepassados e ancestrais, mitologias de matriz africana e indígena, cosmogonias e cosmologias tradicionais, bem como teologias vivas e psicologias da religião a partir do olhar das próprias tradições. Valorizamos especialmente o saber que nasce da oralidade, da experiência, da ritualística e da memória encarnada nos corpos, casas, terreiros e territórios.





