Você conhece a linha de Bará da Quimbanda Gaúcha?

Você conhece a linha de Bará da Quimbanda Gaúcha?

Você conhece a linha de Exú Bará da Quimbanda Gaúcha? É importante compreender que o Orixá Bará do Batuque Gaúcho não é a mesma entidade cultuada como Exú Bará na Quimbanda Tradicional Gaúcha. Apesar dessa distinção, muitos sacerdotes afirmam que a linha de Exú Bará atua em sintonia com a força, os domínios e os fundamentos associados ao Orixá Bará. Essa compreensão é amplamente encontrada dentro das tradições da Linha Cruzada e ajuda a explicar diversas aproximações ritualísticas observadas entre os dois cultos. Essa relação evidencia o quanto a cosmologia do Batuque influenciou a formação da Quimbanda Tradicional Gaúcha. Diferentemente de outras regiões do Brasil, onde Exú permaneceu por muito tempo restrito a uma posição secundária dentro da Umbanda, no Rio Grande do Sul a influência do Batuque permitiu o surgimento de uma Quimbanda com identidade própria e fundamentos específicos. O principal representante dessa linha é o Exú Bará da Rua, entidade amplamente cultuada nos terreiros tradicionais do estado e associada aos caminhos, às oportunidades, ao movimento e à prosperidade material. Exú Bará da Rua atua nos caminhos abertos, favorecendo abundância, circulação de recursos, desenvolvimento profissional e crescimento financeiro. Por essa razão, é frequentemente procurado em demandas ligadas ao comércio, aos negócios e à prosperidade. Sua principal zona de atuação é a encruzilhada, espaço sagrado que ocupa posição central tanto no culto ao Orixá Bará quanto no trabalho dos Exús de encruzilhada da Quimbanda. A encruzilhada representa o encontro de forças, escolhas, destinos e possibilidades. Outro aspecto relevante é a influência de Bará Lodê na formação das concepções de poder presentes na Quimbanda Gaúcha. Em muitas narrativas tradicionais, Bará Lodê aparece como uma força organizadora das relações espirituais ligadas à rua e aos domínios liminares. Bará Lodê integra, ao lado de Ogum Avagã e Oyá Timboá ou Oyá Dirã, uma importante tríade de divindades associadas à rua. Essa tríade atua na proteção da comunidade terreira, no estabelecimento de fronteiras espirituais e na manutenção da ordem ritual. Também é atribuída a essas divindades a regulação das relações entre o terreiro e as forças ctônicas, os espíritos errantes e demais presenças espirituais que circulam em seus arredores. Diversos relatos tradicionais afirmam que Bará Lodê pode direcionar Exús e Pombagiras para trabalhos específicos de proteção, vigilância, defesa espiritual e guarda dos caminhos da comunidade religiosa. Para compreender essa dinâmica, é necessário recordar que a Quimbanda Tradicional Gaúcha surgiu no contexto da Linha Cruzada, estrutura religiosa que aproximou elementos do Batuque e da Umbanda dentro de um mesmo espaço ritual. Foi justamente nesse ambiente que surgiu o chamado Exú Cruzado. Até meados da década de 1960, os Exús ainda eram cultuados principalmente segundo concepções umbandistas. Com o tempo, passaram a receber assentamentos próprios, sacrifícios animais e processos de sacralização inspirados nos fundamentos do Batuque.As oferendas destinadas aos Exús da Quimbanda Gaúcha também revelam essa influência. Além de velas, charutos e marafo, passaram a ser incorporados elementos como milho torrado e batata inglesa, tradicionalmente presentes nas oferendas do Orixá Bará, aproximando ainda mais os fundamentos dos dois cultos. Diversos pesquisadores observam que esse processo representou uma verdadeira promoção ritual dos Exús. Aquilo que antes era apenas tolerado dentro da Umbanda passou a receber tratamento semelhante ao destinado aos orixás, através de assentamentos, aprontamentos e sacrifícios rituais.Nesse contexto, o Exú deixa de ocupar uma posição subordinada e assume uma condição de soberania espiritual. Surge então a figura do Exú Cruzado ou Exú Catiço, entidade assentada, coroada e fortalecida pelos fundamentos rituais da Quimbanda Gaúcha.A própria valorização de Bará no Rio Grande do Sul pode ter contribuído para esse processo. Diferentemente do que ocorreu em outras regiões do país, Bará sempre recebeu grande deferência dentro do Batuque Gaúcho, sendo reconhecido como orixá pleno, podendo inclusive ocupar a cabeça de seus iniciados. Muitos pesquisadores apontam que os Exús da Quimbanda Gaúcha se beneficiaram dessa deferência prestada a Bará, aproximando-se simbolicamente de atributos como poder, soberania, autonomia e centralidade ritual. A força de Bará também estabelece relações com diversas outras linhas da Quimbanda Gaúcha, seja através do Orixá Bará, seja pela atuação de Exú Bará da Rua. Muitos pontos cantados fazem alusão a essas conexões, evidenciando a influência de Bará na cosmologia quimbandeira. A presença de estátuas dedicadas a Exú Bará da Rua nas cidades de Gravataí e Pelotas evidencia sua importância e sua influência na formação e no desenvolvimento das tradições da Quimbanda Gaúcha. Mais do que uma simples linha de trabalho espiritual, a linha de Bará representa um dos exemplos mais evidentes do diálogo histórico entre Batuque e Quimbanda. Ela demonstra como a tradição gaúcha desenvolveu uma compreensão singular de Exú, marcada pela força dos assentamentos, dos sacrifícios, da soberania espiritual e do poder das encruzilhadas. Salve a nossa matriarca anciã, Maria Mulambo, que traz em sua ancestralidade a força vodu de Granne Erzulie Dantor. Salve o Senhor Zé Pelintra, que em nossa rama se desdobra em sua encantaria das águas dos rios. Salve o Senhor João Caveira, que traz em sua cartola a imensidão da Calunga e a liderança do culto aos mortos da nossa rama. Aqui, as sementes falam, as raízes crescem e os ancestrais dão frutos. Thiago Blauth Ferreira, filho de Ruth Blauth Ferreira e Carlos Fernando Ferreira. Líder em terra na Rama dos 4 Caminhos. Participe, é totalmente gratuito Núcleo de estudo e pesquisa ancestral O Núcleo de Estudo e Pesquisa Ancestral é um espaço dedicado à escuta profunda, ao estudo crítico e à vivência espiritual das tradições de matriz afro-indígena por meio do reconhecimento e da valorização dos saberes ancestrais. Nosso ponto de partida é a consciência de que somos frutos de muitas camadas de tempo, história, memória e espiritualidade. Estudar o passado não é um exercício apenas intelectual, mas um mergulho vital nas forças que nos sustentam no presente. Nosso núcleo se dedica a explorar, por meio de leituras, práticas e partilhas coletivas, temas como genealogia ancestral, culto aos antepassados e ancestrais, mitologias de matriz africana e indígena, cosmogonias e cosmologias tradicionais, bem como teologias vivas e psicologias da religião

A Quimbanda é do diabo? uma crítica teológica e cosmológica da centralização cristã em certos discursos contemporâneos da quimbanda

A Quimbanda é do diabo? uma crítica teológica e cosmológica da centralização cristã em certos discursos contemporâneos da quimbanda

A Quimbanda é do diabo? uma crítica teológica e cosmológica da centralização cristã em certos discursos contemporâneos da quimbanda Vejo muitos sacerdotes quimbandeiros afirmando que a quimbanda é um culto de guerra, geralmente fazendo referência à demonização que a tradição sofreu historicamente por parte das igrejas católicas e cristãs. A partir disso, muitos acabam associando a quimbanda não somente a uma resistência religiosa, mas também a uma forma de luta contra um demiurgo construído na imagem do deus cristão. Porém, vejo um grande problema nessa perspectiva quando ela passa a reduzir a complexidade da quimbanda a um conflito centrado exclusivamente na esfera judaico-cristã. A quimbanda é uma tradição formada por múltiplas influências e camadas históricas. Nela existem contribuições de diversas matrizes africanas — yorùbá, nagô, bantu, bakongo, entre outras — além de influências indígenas, afro-diaspóricas, populares e até urbanas. Cada uma dessas tradições possui suas próprias cosmologias, cosmogonias e estruturas teológicas. Algumas possuem uma divindade criadora suprema, outras possuem princípios criadores múltiplos, masculinos e femininos, enquanto outras sequer operam dentro de uma lógica de demiurgo semelhante à tradição cristã. Por isso, considero uma enorme redução afirmar que a quimbanda é essencialmente uma tradição de guerra fundamentada numa oposição ao deus cristão, como se esse conflito fosse o eixo central da tradição. Essa perspectiva acaba ignorando que existem outras cosmologias que também compõem a formação da quimbanda — inclusive tradições indígenas que nunca compartilharam da mesma estrutura moral dualista judaico-cristã de bem e mal, certo e errado, salvação e condenação. Além disso, esses outros deuses criadores, ancestrais e princípios cosmológicos raramente são lembrados ou sequer citados nesses discursos. O conflito cristão acaba ocupando o centro gravitacional da narrativa, enquanto as demais tradições tornam-se periféricas ou subordinadas a uma guerra que originalmente não era delas. E aqui vejo uma contradição importante: muitos discursos que afirmam combater o cristianismo continuam estruturando sua visão de mundo a partir dele. O cristianismo permanece definindo: o inimigo, o campo simbólico, a lógica de guerra, a oposição espiritual, e até mesmo a identidade da própria quimbanda.   Ou seja, mesmo invertendo os valores, continua-se preso dentro da cosmologia cristã. Isso produz, na prática, uma espécie de recentralização euro-cristã da tradição. E, ao meu ver, isso pode colaborar com um embranquecimento epistemológico da quimbanda, porque submete outras matrizes cosmológicas a conflitos e categorias que muitas delas nunca compartilharam. Diversas tradições africanas e indígenas não operam prioritariamente através de um dualismo moral absoluto. Muitas trabalham a partir de relações de força, ancestralidade, movimento, equilíbrio, territorialidade, potência e reciprocidade espiritual. Nelas, uma entidade não é necessariamente “boa” ou “má” no sentido cristão; ela pode ser perigosa, quente, ambivalente, ancestral, curadora ou destrutiva dependendo da relação estabelecida. Então, quando toda a narrativa da quimbanda passa a girar em torno de uma batalha contra o demiurgo cristão, ocorre um apagamento parcial da pluralidade cosmológica que compõe a tradição. Isso não significa ignorar a perseguição histórica sofrida pelas religiões afro-brasileiras. A demonização existiu, a violência existiu, e a construção de discursos de resistência é compreensível dentro desse contexto histórico. Porém, transformar essa resistência no eixo absoluto da teologia quimbandeira acaba reduzindo uma tradição extremamente complexa, plural e multifacetada a uma reação permanente ao cristianismo. A quimbanda é muito maior do que isso. Salve a nossa matriarca anciã, Maria Mulambo, que traz em sua ancestralidade a força vodu de Granne Erzulie Dantor. Salve o Senhor Zé Pelintra, que em nossa rama se desdobra em sua encantaria das águas dos rios. Salve o Senhor João Caveira, que traz em sua cartola a imensidão da Calunga e a liderança do culto aos mortos da nossa rama. Aqui, as sementes falam, as reízes crescem e os ancestrais dão frutos. Thiago Blauth Ferreira, filho de Ruth Blauth Ferreira e Carlos Fernando Ferreira. Líder em terra na Rama dos 4 Caminhos. Participe, é totalmente gratuito Núcleo de estudo e pesquisa ancestral O Núcleo de Estudo e Pesquisa Ancestral é um espaço dedicado à escuta profunda, ao estudo crítico e à vivência espiritual das tradições de matriz afro-indígena por meio do reconhecimento e da valorização dos saberes ancestrais. Nosso ponto de partida é a consciência de que somos frutos de muitas camadas de tempo, história, memória e espiritualidade. Estudar o passado não é um exercício apenas intelectual, mas um mergulho vital nas forças que nos sustentam no presente. Nosso núcleo se dedica a explorar, por meio de leituras, práticas e partilhas coletivas, temas como genealogia ancestral, culto aos antepassados e ancestrais, mitologias de matriz africana e indígena, cosmogonias e cosmologias tradicionais, bem como teologias vivas e psicologias da religião a partir do olhar das próprias tradições. Valorizamos especialmente o saber que nasce da oralidade, da experiência, da ritualística e da memória encarnada nos corpos, casas, terreiros e territórios. Instagram Facebook YouTube Linktr.ee E-mail Quero participar do núcleo

Como é o desenvolvimento mediúnico na Quimbanda?

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Como é o desenvolvimento mediúnico na Quimbanda? O culto a Exú e Pombagira na Quimbanda não é medido pela incorporação, mas pela profundidade da conexão construída com os ancestrais e com as potências espirituais cultuadas. Essa conexão, na maioria das vezes, não depende diretamente do transe de incorporação. É possível afirmar que existem três pilares centrais que estruturam o desenvolvimento mediúnico do quimbandeiro: o culto, o oráculo e a feitiçaria. Contudo, para compreender esse processo de maneira mais profunda, é necessário desmistificar a ideia de que a incorporação seria a principal ou única manifestação de mediunidade dentro da tradição. Essa visão está fortemente presente no imaginário popular devido à influência da Umbanda, onde a incorporação costuma ocupar um papel central nas dinâmicas de atendimento espiritual e nas práticas litúrgicas. Na Quimbanda, porém, o desenvolvimento mediúnico frequentemente segue um caminho diferente. Em vez de priorizar exclusivamente o transe, a tradição tende a desenvolver uma percepção espiritual mais consciente, direta e ritualizada. O quimbandeiro aprende a reconhecer sinais, presságios, intuições, movimentos energéticos e estados internos que surgem da relação contínua com seus tutelares espirituais. O culto constante, a vivência ritual, a observação simbólica e a prática oracular vão refinando aquilo que poderia ser chamado de “instinto espiritual”, uma capacidade de perceber e interpretar forças invisíveis sem necessariamente perder a consciência ordinária. Sob uma perspectiva teológica, isso revela que a relação com Exú e Pombagira não se reduz à manifestação corporal da entidade, mas à construção de uma aliança espiritual e ancestral. O axé, a palavra ritual, a oferenda, o assentamento, os ciclos litúrgicos e a convivência simbólica com essas potências tornam-se formas de comunhão e transformação. Nesse sentido, o quimbandeiro não busca apenas “receber” um espírito, mas tornar-se alguém capaz de sustentar e manipular determinadas forças dentro da cosmologia da tradição. A incorporação pode existir, mas ela é apenas uma das possibilidades dentro de um sistema muito mais amplo de interação espiritual. Em uma leitura psicológica inspirada em Carl Gustav Jung, esse processo pode ser compreendido como uma ampliação da relação entre consciência e inconsciente. Exú e Pombagira podem ser percebidos não apenas como entidades externas, mas também como imagens arquetípicas profundamente associadas às zonas liminares da psique: desejo, sombra, potência, instinto, ruptura, transformação e ancestralidade. O desenvolvimento mediúnico, nesse contexto, não significaria apenas entrar em transe, mas aprender a dialogar conscientemente com conteúdos profundos da própria psique e com símbolos vivos que emergem da experiência ritual. O rito funciona como ponte entre o consciente e o inconsciente, entre o humano e o ancestral, permitindo que o indivíduo reorganize sua própria estrutura subjetiva através da experiência espiritual. Ao longo desse caminho, o quimbandeiro desenvolve capacidades, habilidades e saberes específicos. Recebe chaves simbólicas, aprende a manipular fundamentos ritualísticos e passa a compreender, pela prática e pela experiência, as linguagens espirituais da tradição. É justamente a convivência contínua com seus Exús e Pombagiras, associada à disciplina ritual e à experiência acumulada, que gradualmente o transforma em um feiticeiro de fato. Não apenas alguém que incorpora espíritos, mas alguém que aprendeu a transitar conscientemente entre forças visíveis e invisíveis, entre matéria e símbolo, entre ancestralidade e transformação interior. O culto a exú e pombagira na quimbanda A prática que mais desenvolve as capacidades mediúnicas do quimbandeiro é o culto vivo aos seus ancestrais Exú e Pombagira. É através do culto que ocorre a principal travessia simbólica do iniciado dentro da Quimbanda, pois não é apenas pela incorporação ou pelo transe que se constrói a mediunidade, mas principalmente pela relação contínua, ritualizada e profunda com as forças ancestrais cultuadas. É no convívio litúrgico com seus tutelares que o iniciado amadurece espiritualmente e aprende, pouco a pouco, a perceber as nuances energéticas, os movimentos sutis e as transformações produzidas pela presença desses ancestrais em sua vida. O culto não atua apenas como prática religiosa, mas como um processo constante de reorganização interior e alinhamento espiritual. A cada vela firmada há o fortalecimento da fé, da vontade e da intenção; a cada troca de águas ocorre uma renovação simbólica e energética; a cada gesto de agradecimento estabelece-se uma reafirmação do vínculo entre o iniciado e suas potências ancestrais. Os cortes rituais, as oferendas preparadas e servidas, os pontos cantados, os ciclos litúrgicos e os atos de devoção não são apenas formalidades externas, mas instrumentos vivos de transformação espiritual e psíquica. É através da repetição ritual e da experiência contínua do culto que o quimbandeiro desenvolve sensibilidade espiritual e enraizamento simbólico. O rito, nesse contexto, cria uma ponte entre o visível e o invisível, entre consciência e ancestralidade, permitindo que o iniciado seja gradualmente atravessado pelas forças que cultua. Cada gesto ritual carrega memória, intenção e presença. Com o tempo, o culto deixa de ser apenas uma prática realizada em determinados momentos e passa a reorganizar a própria maneira como o quimbandeiro percebe a vida, o tempo, os ciclos e as forças da natureza. O culto é o coração do desenvolvimento mediúnico na Quimbanda porque é nele que os vínculos espirituais são alimentados e aprofundados. É no culto que ciclos são encerrados e renovados, que acordos espirituais são estabelecidos e mantidos, que a entrega ritual acontece e que o iniciado aprende a sustentar determinadas forças dentro de si. A convivência contínua com Exú e Pombagira vai moldando o campo espiritual, emocional e simbólico do quimbandeiro, tornando-o progressivamente mais preparado para compreender e manipular os fundamentos da tradição. Toda Quimbanda só existe porque existe culto vivo. Sem a devoção cotidiana do iniciado, sem a manutenção dos assentamentos, sem a firmeza das velas, sem a alimentação ritual e sem a continuidade dos vínculos ancestrais, a tradição perde seu enraizamento existencial. A força da Quimbanda não nasce apenas do conhecimento teórico ou da liturgia formal, mas da relação viva entre o iniciado e seus ancestrais. É essa relação que sustenta a experiência espiritual, fortalece o desenvolvimento mediúnico e permite que a tradição permaneça viva dentro da própria vida do quimbandeiro. A linguagem e comunicação com o oráculo de exú Existem diversos

A força do Povo da Lomba na Quimbanda Gaúcha

A força do Povo da Lomba na Quimbanda Gaúcha

A força do Povo da Lomba na Quimbanda Gaúcha O Povo da Lomba, na Quimbanda Gaúcha, possui grande poder dentro da tradição. Nele, encontramos diversos ancestrais exus e pombagiras populares, assim como outros mais cultuados no Rio Grande do Sul, como Maria Mulambo, Exu do Lodo, Exu Sete Covas, Exu Corcunda, Exu Sete Lombas, entre muitos outros. Essas entidades carregam fundamentos ligados à marginalidade, à travessia espiritual, à transformação da dor e ao contato com forças profundas da ancestralidade e da morte. É importante observar que o Povo da Lomba está inserido dentro do Reino das Almas, ligado ao cemitério, e, em sua estrutura simbólica e de poder, representa um grande portal liminar dentro das almas. A lomba é um espaço de transição entre o que está em cima e o que está embaixo, entre subida e descida, entre luz e sombra, entre consciência e profundezas espirituais. Dentro da simbologia da quimbanda, a lomba representa um caminho iniciático: quem sobe ou desce uma lomba atravessa estados espirituais e emocionais distintos. Não é apenas um espaço geográfico, mas um território simbólico de passagem, transformação e confronto interior. Além disso, a lomba possui ao menos três pontos de força muito importantes: o alto da lomba, o meio da lomba e os fundos da lomba. Cada um desses espaços manifesta qualidades espirituais diferentes. O alto da lomba costuma estar relacionado à observação, à abertura de caminhos e ao domínio das forças espirituais; o meio da lomba representa o trânsito, o desequilíbrio e o ponto de escolha entre subida e queda; já os fundos da lomba concentram energias densas, profundas e ancestrais, ligadas à decomposição, à dor, ao sofrimento humano e aos mistérios da morte. Até mesmo o fluxo de movimentação de pessoas, almas, cortejos fúnebres e elementos ritualísticos ajuda a construir o poder espiritual desses pontos. Na visão tradicional da quimbanda, caminhos percorridos continuamente acumulam memória espiritual. A palavra “lomba” vem do latim lumbus, ligada ao “lombo” e às costas arqueadas. No Rio Grande do Sul, tornou-se um regionalismo utilizado para descrever ladeiras, morros e caminhos de subida íngreme. Simbolicamente, essa ideia do “lombo” também dialoga com o peso carregado pelos corpos marginalizados ao longo da história: escravizados, pobres, trabalhadores e populações periféricas que precisavam subir diariamente esses caminhos. A lomba torna-se, então, uma metáfora espiritual do peso da existência, da sobrevivência e da resistência ancestral. Entre o final da década de 1950 e o início dos anos 1960, a Quimbanda Gaúcha começava a construir sua própria identidade espiritual nas periferias de Porto Alegre. Nesse contexto, muitos fundamentos da tradição passaram a nascer não apenas dos livros ou das influências externas, mas da experiência direta do povo com os cemitérios, as ruas, os morros e os territórios urbanos marginalizados. A quimbanda gaúcha desenvolveu uma linguagem espiritual profundamente conectada às forças da cidade, da morte e da ancestralidade popular. Naquele período, o povo de axé precisava subir a Avenida Oscar Pereira, no bairro Azenha, para realizar rituais fúnebres, entregas e trabalhos espirituais nos cemitérios da região. O ato de subir a lomba tornou-se, aos poucos, um movimento ritualístico carregado de significado. Não se tratava apenas de caminhar até um cemitério, mas de atravessar simbolicamente um território entre o mundo cotidiano e o mundo das almas. O primeiro cemitério da região, e o mais antigo ainda em funcionamento, é o Cemitério da Santa Casa, inaugurado em 1850. O Cemitério da Santa Casa promove mensalmente a Missa em Intenção às Almas, realizada na Igreja São Joaquim, localizada nas dependências do cemitério, sempre no terceiro domingo do mês, às 11h. José Domingues, um marinheiro português que chegou a Porto Alegre, foi a primeira pessoa livre sepultada no Cemitério da Santa Casa. Já a inocente Eva foi a primeira pessoa escravizada sepultada ali, em 12 de abril de 1850. Com o tempo, aquele caminho deixou de ser apenas uma subida. A memória popular passou a chamá-lo de “Lomba do Cemitério”, transformando a rua em um verdadeiro símbolo espiritual. Isso ocorreu porque os espaços continuamente atravessados por dor, luto, oração, feitiçaria, despedidas e cortejos acabam absorvendo uma espécie de memória coletiva. Dentro da quimbanda, determinados lugares tornam-se vivos espiritualmente justamente pelo acúmulo de experiências humanas intensas. Nos fundos dos cemitérios, ao final da lomba, eram enterrados indigentes e pessoas pobres que não possuíam jazigos. Em uma época em que o povo de axé vivia à margem da sociedade, muitos ancestrais foram sepultados justamente nesses espaços esquecidos. Até 1884, as pessoas livres eram sepultadas no interior do cemitério e os escravizados, fora de seus muros. Somente a partir de 1884 todos passaram a ser enterrados no interior do cemitério. Essa marginalização dos mortos também produziu uma forte carga simbólica. Os fundos do cemitério passaram a representar o território dos esquecidos, dos abandonados e daqueles que foram excluídos socialmente mesmo após a morte. Por isso, muitas entidades ligadas à lomba carregam fundamentos associados à miséria, ao sofrimento humano, à revolta espiritual e à capacidade de transformação através da dor. A terra retirada das covas acumulava-se nos fundos da lomba e, nos dias de chuva, transformava-se em um lodo espesso, pesado e carregado de simbolismo ancestral. O lodo possui um significado profundo dentro da quimbanda: ele representa mistura, decomposição, fertilidade espiritual e transformação. É um elemento que nasce da união entre terra, água, matéria orgânica e morte. Simbolicamente, o lodo manifesta aquilo que foi desfeito para poder renascer sob outra forma. Muitos quimbandeiros passaram a reconhecer nesse local o ponto de força de Exu do Lodo e também de Maria Mulambo, que, na Quimbanda Gaúcha, responde nas forças da lomba do cemitério. Maria Mulambo, especialmente, carrega uma simbologia profundamente ligada aos restos, aos trapos, àquilo que foi abandonado pela sociedade, mas que retorna revestido de poder espiritual. Sua presença na lomba expressa a transformação da humilhação em força, da miséria em dignidade espiritual e da dor em potência mágica. Os fundos do cemitério possuem grandes mistérios dentro da quimbanda. Muitos trabalhos considerados pesados são realizados ali: feitiços de ataque, amarrações e

Pomba Gira ancestral, as raízes profundas da ancestralidade feminina na Quimbanda

Desmanche de trabalho na quimbanda | Feitiços e energias negativas

Pomba Gira ancestral, as raízes profundas da ancestralidade feminina na Quimbanda Um homem falar do feminino é uma quebra de paradigmas, pois qualquer interpretação inevitavelmente passa pelas limitações de um lugar de fala de quem é fruto, e não a árvore gestadora. Mas, na quimbanda, aprendi que a entrega às potências ancestrais femininas passa por um processo de arrebatamento, no qual nós, homens, precisamos romper com o status quo patriarcal e machista, despindo-nos da armadura rígida endurecida por uma biblioteca de preconceitos construída para manter um modo de ser bélico masculino. Veja bem: não defendo que o homem deva distanciar-se de sua essência masculina, mas levanto o questionamento sobre o que é esse “ser masculino”, esse estar no mundo, essa presença masculina que tantas vezes é colocada em posição crítica sempre que o homem é estimulado a reconhecer o poder do feminino. Carl Jung afirmava que todo homem possui uma parte feminina, à qual chamou de anima, e toda mulher possui uma parte masculina, chamada animus. Ele atribuía muitos problemas psicológicos à forma como homens e mulheres se relacionavam com esses aspectos internos. Dito isso, creio com muita força que Pomba Gira é uma ancestral que rompe couraças que aprisionam a mente humana, principalmente aquelas sobrecarregadas por preconceitos de toda ordem. Seja pelo acolhimento daqueles que buscam reintegrar-se à sua totalidade, seja pela força da dor daqueles que resistem ou lutam para permanecer presos a essas mesmas couraças. Pomba Gira é uma imensa — para não dizer a maior — força geradora e criadora na espiritualidade. Tudo o que foi gerado no mundo contém sua força e, por fim, deveria reconhecer em si essa potência; lutar contra isso é, de certa forma, lutar contra si mesmo. Não estou aqui desmerecendo outras divindades femininas, até porque toda Pomba Gira ancestral, como feiticeira, carrega em sua sabedoria o culto e o acesso a diversas potências de múltiplas divindades femininas. Minha ancestral tutelar, Maria Mulambo, traz em sua ancestralidade a força de uma loa do vodu haitiano chamada Granne Erzulie Dantor, apresentando-se como uma anciã. Por isso, hoje a reconheço como a maior força feminina em minha ancestralidade, embora ela própria carregue potências ancestrais ainda mais antigas. Erzulie Dantor é reconhecida como a loa que liderou espiritualmente a Revolução de Independência do Haiti, carregando em seu modo de ser uma imensa força de guerra, sobrevivência e maternidade feroz — uma imagem muito diferente daquela que aprendemos dentro de uma cultura massificada católico-cristã. Tudo isso é uma quebra de perspectiva. E talvez seja justamente isso que Pomba Gira proporciona a todo iniciado: uma ruptura profunda com visões endurecidas sobre o mundo, sobre o corpo, sobre o desejo e sobre si mesmo — no amor ou na dor. Eva mitocondrial e a maternidade energética Todos os humanos no mundo possuem ao menos uma ancestral comum, chamada popularmente como Eva Mitocondrial, que viveu na região hoje conhecida como Zimbábue e Botsuana, no continente africano.  As mitocôndrias possuem um pequeno DNA próprio, chamado DNA mitocondrial, que é transmitido quase exclusivamente pela mãe durante a fecundação, porque as mitocôndrias do espermatozóide normalmente são destruídas após entrar no óvulo. Ao longo de milhares de gerações, esse DNA sofre pequenas mutações naturais que vão sendo herdadas pelas descendentes. Comparando essas mutações em populações humanas atuais, os geneticistas conseguem rastrear uma linhagem materna contínua até chegar a uma ancestral comum, chamada Eva mitocondrial, que representa o ponto em que todas as linhagens maternas humanas vivas hoje convergem. A principal função das mitocôndrias é produzir energia para a célula. Elas transformam nutrientes — principalmente glicose e ácidos graxos — em uma molécula chamada ATP (adenosina trifosfato), que funciona como a “moeda energética” do organismo. Esse processo acontece principalmente através da respiração celular aeróbica, em que a mitocôndria utiliza oxigênio para extrair energia dos alimentos de maneira muito eficiente. Por isso, células que gastam muita energia, como as musculares, cardíacas e neurais, possuem grande quantidade de mitocôndrias. Ou seja, a mitocôndria é o que nos dá energia para nos mover e ela tem total herança e DNA materno e ancestral feminino. O apagamento do feminino ancestral Há um movimento contemporâneo que projeta sobre a Pombagira uma hipersexualização do feminino, reduzindo sua potência espiritual a arquétipos limitados de prostitutas e cortesãs. Ainda que muitas ancestrais manifestadas nas correntes da quimbanda tenham vivido experiências ligadas à prostituição, existe um profundo apagamento teológico e ancestral de inúmeras outras mulheres que sustentam essa força: anciãs, curandeiras, guerreiras, mães, lavadeiras, cozinheiras, mulheres negras, indígenas, escravizadas e marginalizadas pela história oficial. A redução de Pombagira a um corpo erotizado revela não apenas uma distorção simbólica, mas também a permanência de um olhar patriarcal incapaz de reconhecer o feminino para além do desejo masculino. Isso também se manifesta na estética das imagens, frequentemente embranquecidas e hipersexualizadas, como se somente determinados corpos pudessem representar o sagrado feminino. Entretanto, dentro da quimbanda, Pombagira não é apenas sensualidade: ela é potência ontológica de geração, transformação e movimento. Ela é senhora dos mistérios do desejo, mas não para aprisionar o ser humano em compulsões; ao contrário, para revelar que o desejo é uma força espiritual que precisa ser compreendida e integrada. Quando desconectado da consciência ancestral, o desejo torna-se vício, vazio e consumo; quando sacralizado, transforma-se em força criadora, autonomia e reintegração da alma consigo mesma. Por isso, Pombagira rompe couraças psíquicas e espirituais endurecidas pelo medo, pelo moralismo e pelos preconceitos herdados. Sua presença obriga o iniciado a confrontar aquilo que foi reprimido dentro de si. Linhas ancestrais como as Cacurucaias, Marias Mulambos, Rasga-Mortalhas, Marias Farrapos, do Forno e tantas outras vêm sendo lentamente apagadas das correntes contemporâneas. E, junto delas, desaparecem bibliotecas inteiras de saberes mágicos, perspectivas cosmológicas e formas ancestrais de compreender o feminino. Existe uma urgência espiritual em conscientizar os iniciados para que deixem de romantizar a objetificação de Pombagira como simples projeção das frustrações sexuais da coletividade. Pombagira é poder entronado na totalidade das fases lunares do feminino: ela é fertilidade e ruína, acolhimento e guerra, beleza e

Ervas de Exú na Quimbanda Gaúcha | Erva-de-Passarinho (Viscum album)

Ervas de Exú na Quimbanda Gaúcha - Erva-de-Passarinho - Viscum album 01

Ervas de Exú na Quimbanda Gaúcha | Erva-de-Passarinho (Viscum album) A erva-de-passarinho, também conhecida como visco (Viscum album), carrega em si um mistério que começa na própria forma como nasce. Seu nome popular deriva de um processo biológico curioso: suas sementes são espalhadas por aves, através de fezes ou regurgitação, fixando-se nos galhos de outras árvores, onde passam a crescer. Diferente da maioria das plantas, ela não brota diretamente da terra, mas se alimenta da seiva de outra vida. Este fenômeno botânico a eleva a um símbolo poderoso de transformação, troca e interdependência. Em diversas culturas indígenas, como na língua tupi (guirarepoti) e ticuna (tchaure), sua nomenclatura já revela essa ligação intrínseca entre o animal, a planta e o ciclo contínuo da natureza.   Ao longo da história, o visco foi visto como uma planta de grande poder medicinal e espiritual. Suas bagas e folhas já foram utilizadas no tratamento de distúrbios nervosos, doenças cardíacas e problemas digestivos. Na Europa, especialmente entre os povos celtas, o visco era considerado sagrado. Os druidas o colhiam em rituais específicos, enxergando nele um símbolo de vida que persiste mesmo no rigor do inverno, quando as árvores hospedeiras parecem mortas. Na mitologia nórdica, ele também aparece como símbolo de amor e renascimento, ligado ao mito do deus Baldur, reforçando sua associação com a morte e o inevitável retorno à vida.   Para compreender a profundidade simbólica da erva-de-passarinho, é necessário transcender a botânica e adentrar os campos da antropologia, da teologia e da psicologia profunda. Através das lentes de Mircea Eliade, Victor Turner e Carl Gustav Jung, o visco deixa de ser apenas uma planta parasita para se revelar como um eixo cósmico, um ser liminar e um arquétipo de transmutação psíquica. O Visco como Hierofania e Centro do Mundo em Mircea Eliade Na perspectiva do historiador das religiões Mircea Eliade, o sagrado se manifesta no mundo profano através de objetos, espaços ou fenômenos naturais, um processo que ele denomina hierofania . A erva-de-passarinho, ao crescer nos galhos do carvalho sagrado, não é percebida pelos antigos celtas apenas como uma planta, mas como a própria manifestação da divindade. Eliade argumenta que a árvore, em muitas tradições, atua como o Axis Mundi (o Eixo do Mundo), conectando o mundo subterrâneo, a terra e os céus.   O visco, por sua vez, ocupa uma posição singular nesse eixo. Ele não toca o solo profano; ele nasce e vive nas alturas. Para os druidas, como relatado por Plínio, o Velho, a colheita do visco exigia que ele fosse cortado com uma foice de ouro e aparado em um pano branco, jamais tocando a terra. Esse cuidado extremo reflete a necessidade de preservar a pureza da hierofania. Além disso, o fato de o visco manter sua folhagem verde durante o inverno, enquanto o carvalho perde suas folhas, faz dele um símbolo da “eterna renovação”. Ele é o coração pulsante da árvore adormecida, a prova tangível de que a vida divina persiste mesmo diante da aparente morte sazonal. A Liminaridade e o “Entre-Mundos” de Victor Turner O antropólogo Victor Turner desenvolveu o conceito de liminaridade para descrever o estado de transição nos ritos de passagem, um momento em que o indivíduo ou objeto não pertence mais ao estado anterior, mas ainda não alcançou o novo status. É o espaço do betwixt and between (o “estar entre”). A erva-de-passarinho é a personificação botânica da liminaridade.   Ela não possui raízes na terra, o que a desvincula da estrutura fundamental que rege o reino vegetal. Ao mesmo tempo, ela não é parte intrínseca da árvore hospedeira, mantendo sua própria identidade genética e morfológica. O visco habita a margem, o limiar. Turner argumenta que é exatamente nessa zona liminar que reside o maior poder ritualístico e transformador. Por estar fora das estruturas convencionais, a erva-de-passarinho adquire uma potência mágica e curativa.   Dentro das práticas espirituais, essa característica liminar faz do visco uma ponte entre mundos: entre a vida e a morte, entre a matéria e o espírito. Por não se alimentar diretamente da terra, mas de uma energia já “transformada” pela árvore hospedeira, ela carrega o simbolismo de absorver, processar e redirecionar forças sutis. Em rituais de limpeza, ela atua como um ponto de força que captura e neutraliza emanações negativas, operando exatamente na fronteira entre o que nos atinge e o que somos capazes de transformar. A Transmutação Arquetípica na Psicologia de Carl Jung Para o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, os símbolos naturais são expressões de arquétipos presentes no inconsciente coletivo. A árvore é frequentemente associada ao processo de individuação, representando o desenvolvimento do Self (o Si-Mesmo), com suas raízes mergulhando no inconsciente e seus galhos se estendendo em direção à consciência.   Nesse contexto, a erva-de-passarinho pode ser interpretada como um arquétipo de transmutação psíquica. Ela se alimenta de nutrientes já sintetizados pela árvore — uma energia já elaborada. Psicologicamente, isso reflete a capacidade da psique de pegar conteúdos brutos (impulsos, traumas, a Sombra) e, através de uma “segunda transformação”, refiná-los em consciência e sabedoria. O visco atua como um catalisador alquímico dentro da psique.   Além disso, no mito nórdico de Baldur, o deus da luz e da pureza, é o visco — a única planta considerada inofensiva e marginal — que se torna o instrumento de sua morte. Jung veria nisso a dinâmica da Sombra: aquilo que é negligenciado, pequeno ou aparentemente insignificante possui o poder de desestabilizar a estrutura dominante (o ego). A morte de Baldur pelo visco não é apenas uma tragédia, mas uma necessidade arquetípica para que ocorra o renascimento e a renovação do mundo (o Ragnarök e a subsequente restauração). Salve a nossa matriarca anciã, Maria Mulambo, que traz em sua ancestralidade a força vodu de Granne Erzulie Dantor. Salve o Senhor Zé Pelintra, que em nossa rama se desdobra em sua encantaria das águas dos rios. Salve o Senhor João Caveira, que traz em sua cartola a imensidão da Calunga e a liderança do culto aos mortos da nossa rama.

Desmanche de trabalho na quimbanda | Feitiços e energias negativas

Desmanche de trabalho na quimbanda | Feitiços e energias negativas

Desmanche de trabalho na quimbanda | Feitiços e energias negativas Desmanche de trabalho, na quimbanda, é o conjunto de rituais, procedimentos e fundamentos que têm como finalidade identificar, neutralizar e transmutar energias e influências espirituais desarmônicas, promovendo o reequilíbrio do campo espiritual do indivíduo em consonância com as leis que regem essa tradição. Esses rituais se sustentam em um complexo corpo de saberes ancestrais que, articulados sob a regência e a autoridade de Exu e Pombagira, operam como forças mediadoras entre os planos, desagregando cargas negativas — sejam elas oriundas de feitiços e trabalhos direcionados, ou de acúmulos energéticos atraídos de forma involuntária ao longo da trajetória do sujeito. Nesse sentido, o desmanche não se limita à anulação de uma ação mágica específica, mas se constitui como um ato de reorganização espiritual, no qual se restabelecem fluxos, se rompem vínculos deletérios e se reinsere o indivíduo em um estado de equilíbrio dentro da dinâmica espiritual própria da quimbanda. Feitiços, ataques e amarrações, o desequilíbrio dos caminhos contrários Naturalmente, estamos sujeitos a ataques espirituais de diversas origens: desde influências de ancestrais ligadas a negatividades ou dívidas geracionais, até desafetos espirituais acumulados ao longo de outras existências. No entanto, é nos ataques direcionados — operados por intermédio da ação consciente de outros feiticeiros — que se concentra grande parte das demandas pelas quais a quimbanda é procurada, especialmente para o desmanche de feitiços, ataques e amarrações. É fundamental compreender que nem todo ataque é infundado. Em muitos casos, trata-se de respostas a comportamentos, ações ou mesmo agressões anteriores. Nas fronteiras da quimbanda, é cultural que certos quimbandeiros, ao perceberem a violação de seus limites — seja no campo da feitiçaria, seja na vida pessoal —, recorram ao direito de resposta através da demanda espiritual. Essa compreensão é essencial para o desenvolvimento da consciência, pois o desmanche de um feitiço não deve se limitar à sua quebra, mas também conduzir o indivíduo à reflexão sobre sua própria conduta, evitando a recorrência de ciclos de ataque e contra-ataque que geram choques de retorno. Há também os trabalhos demandados por terceiros, geralmente motivados por conflitos da vida cotidiana: relações afetivas desfeitas, disputas familiares, invejas no ambiente de trabalho ou outras formas de desavença. Ataques e amarrações compartilham estruturas rituais semelhantes, sendo organizados para gerar interferência e dano no campo espiritual do alvo. É justamente na compreensão e manipulação dessas estruturas que o quimbandeiro atua no desmanche. Em alguns casos, a neutralização de um único elemento já é suficiente para colapsar o trabalho; contudo, um quimbandeiro experiente opera em múltiplas frentes, não apenas rompendo o feitiço, mas também restaurando o equilíbrio energético e fortalecendo o campo de proteção do indivíduo, prevenindo novas investidas. Determinados trabalhos são considerados mais densos, envolvendo a vinculação de espíritos negativos à vida da pessoa, muitas vezes por meio de elementos rituais associados aos cemitérios. Nesses casos, a atuação do quimbandeiro se apoia em sua coroa ou corrente espiritual — composta por ancestrais que o tutelam —, o que lhe permite acessar os domínios onde tais forças foram mobilizadas. Por intermédio dessas entidades, torna-se possível não apenas desvincular o espírito negativo, mas, em certas circunstâncias, redirecioná-lo, integrando-o às fronteiras de defesa do próprio sacerdote por meio de pactos, oferendas e culto. Esse tipo de operação, contudo, envolve riscos, podendo gerar choques de retorno tanto para quem demandou o trabalho quanto para o próprio quimbandeiro, especialmente quando este não possui firmezas bem estruturadas. Trabalhos que envolvem espíritos de grande densidade podem exigir esforços significativos para sua dissolução, mas são, ainda assim, passíveis de desmanche. Toda linha de Exu e Pombagira possui competência para atuar nesses processos; entretanto, algumas correntes apresentam maior afinidade, como os povos das almas e dos cemitérios. Isso se deve ao fato de operarem diretamente nos processos de encaminhamento, organização e trânsito de espíritos, além de carregarem uma densidade espiritual que repercute com intensidade no plano material, podendo atuar tanto em processos de cura quanto no enfrentamento de influências negativas que se manifestam no corpo físico. Por essa razão, não é incomum observar indivíduos profundamente afetados por negatividades — seja em forma de doenças, abatimento emocional ou estados depressivos — experimentarem uma rápida reorganização energética e espiritual quando assistidos por essas correntes. A atuação desses ancestrais promove uma elevação do campo vital, restaurando ânimo, clareza e força. É importante ressaltar, contudo, que a capacidade de operar ataques não é comum, nem deve ser banalizada. Embora exista um grande número de pessoas que se apresentam como quimbandeiros ou feiticeiros, não é coerente supor que ancestrais como Exu e Pombagira disponibilizem suas forças para ações levianas ou gratuitas, que inevitavelmente gerariam desequilíbrios e choques de retorno para seus próprios tutelados. Assim, é frequente encontrar relatos de trabalhos que não surtiram efeito — não por falha das entidades, mas pela ilusão de poder daqueles que se dizem sacerdotes sem o devido fundamento. Operações negativas exigem grande dispêndio energético, podendo causar desgaste físico e espiritual no operador, além de implicarem vínculos com espíritos de natureza densa, que tendem a irradiar continuamente energias desarmônicas. Aqueles que de fato possuem capacidade para tais práticas geralmente se encontram envolvidos em campos pesados e desequilibrados, afetando também o ambiente ao seu redor. Dessa forma, indivíduos que recorrem a esses agentes, muitas vezes já fragilizados, podem acabar sendo ainda mais absorvidos por essas dinâmicas, aprofundando seu próprio desequilíbrio. Por fim, é necessário distinguir essas práticas do direito de resposta dentro da quimbanda. Quando há invasão de limites e agressão espiritual, a reação pode se configurar como uma necessidade dentro da lógica de equilíbrio e justiça que rege a tradição. Nesse contexto, a resposta não se dá por impulsividade, mas como restabelecimento de ordem dentro das leis espirituais que sustentam o culto. Desarmonias e energias negativas, quando o ambiente perturba a harmonia e equilíbrio Há também demandas que se formam e se agregam ao nosso campo energético que não decorrem de trabalhos negativos direcionados, mas sim de nosso próprio comportamento e de estados de desequilíbrio interno. Essas condições fazem

Ervas de Exú na Quimbanda Gaúcha | Baccharis anomala – parreirinha – parreirinha-do-mato – cambará-de-cipó – uva-do-mato

Ervas de Exú na Quimbanda Gaúcha | Baccharis anomala - parreirinha - parreirinha-do-mato - cambará-de-cipó - uva-do-mato

Ervas de Exú na Quimbanda Gaúcha | parreirinha, parreirinha-do-mato, cambará-de-cipó, uva-do-mato (Baccharis anomala) A Baccharis anomala, conhecida popularmente como parreirinha, parreirinha-do-mato, cambará-de-cipó, uva-do-mato e, em contextos rituais do sul do Brasil, como erva-da-jurema, pertence a um gênero profundamente associado tanto à medicina quanto à espiritualidade. O nome Baccharis carrega um significado simbólico importante: pode derivar do latim baccar ou do grego bakkaris, referindo-se a uma planta de raiz aromática, o que já indica sua ligação ancestral com o uso ritual e com a manipulação de essências e perfumes. Esse caráter aromático e energético atravessa seu uso tradicional, onde a planta não é apenas matéria, mas também veículo de força vital e espiritual. Do ponto de vista medicinal, a Baccharis anomala é reconhecida como uma planta de grande potência terapêutica. Os estudos indicam a presença de compostos como taninos, catequinas e saponinas, associados a diversas propriedades biológicas, incluindo atividade antiviral significativa, sendo capaz de inibir a replicação de vírus como o herpes simplex. Popularmente, é utilizada como diurética, tônica e febrífuga, devido ao seu princípio amargo característico, atuando no equilíbrio do organismo físico. Esse duplo aspecto — químico e energético — reforça a visão tradicional de que a cura não se limita ao corpo, mas envolve também dimensões sutis do ser. No campo ritual, especialmente nas tradições afro-ameríndias, a Baccharis anomala assume um papel de destaque como erva de descarga espiritual, sendo utilizada em banhos para limpeza e descarrego, como observado em comunidades como o Morro da Cruz, em Porto Alegre. Sua associação com o nome “erva-da-jurema” evidencia sua inserção em sistemas simbólicos ligados à comunicação com o invisível e ao culto ancestral. Esse uso dialoga diretamente com práticas indígenas, como as do povo Pankararu, onde espécies do gênero Baccharis são amplamente utilizadas tanto para fins ritualísticos quanto medicinais, sendo consideradas ferramentas de cura e conexão espiritual. Assim, a Baccharis anomala se revela como uma planta de fronteira: entre o corpo e o espírito, entre a ciência e o sagrado, entre o presente e a memória ancestral. Salve a nossa matriarca anciã, Maria Mulambo, que traz em sua ancestralidade a força vodu de Granne Erzulie Dantor. Salve o Senhor Zé Pelintra, que em nossa rama se desdobra em sua encantaria das águas dos rios. Salve o Senhor João Caveira, que traz em sua cartola a imensidão da Calunga e a liderança do culto aos mortos da nossa rama. Aqui, as sementes falam, as reízes crescem e os ancestrais dão frutos. Thiago Blauth Ferreira, filho de Ruth Blauth Ferreira e Carlos Fernando Ferreira. Líder em terra na Rama dos 4 Caminhos. Participe, é totalmente gratuito Núcleo de estudo e pesquisa ancestral O Núcleo de Estudo e Pesquisa Ancestral é um espaço dedicado à escuta profunda, ao estudo crítico e à vivência espiritual das tradições de matriz afro-indígena por meio do reconhecimento e da valorização dos saberes ancestrais. Nosso ponto de partida é a consciência de que somos frutos de muitas camadas de tempo, história, memória e espiritualidade. Estudar o passado não é um exercício apenas intelectual, mas um mergulho vital nas forças que nos sustentam no presente. Nosso núcleo se dedica a explorar, por meio de leituras, práticas e partilhas coletivas, temas como genealogia ancestral, culto aos antepassados e ancestrais, mitologias de matriz africana e indígena, cosmogonias e cosmologias tradicionais, bem como teologias vivas e psicologias da religião a partir do olhar das próprias tradições. Valorizamos especialmente o saber que nasce da oralidade, da experiência, da ritualística e da memória encarnada nos corpos, casas, terreiros e territórios. Instagram Facebook YouTube Linktr.ee E-mail Quero participar do núcleo

Ervas de Exú na Quimbanda Gaúcha | Unha-de-gato (Dolichandra unguis-cati (L.) L.G. Lohmann)

Ervas de Exú na Quimbanda Gaúcha - Unha-de-gato Dolichandra unguis-cati L L G Lohmann 01

Ervas de Exú na Quimbanda Gaúcha | Unha-de-gato (Dolichandra unguis-cati (L.) L.G. Lohmann) A espécie Dolichandra unguis-cati (L.) L.G. Lohmann, conhecida popularmente como unha-de-gato, cipó-gato, cordão-de-ouro e, em guarani, mbarakaja pyapê. Suas gavinhas em forma de garra permitem forte fixação em superfícies, o que explica tanto sua resistência quanto seu potencial invasivo. Esse comportamento vegetal, marcado pela capacidade de se agarrar e avançar mesmo em ambientes adversos, favorece interpretações simbólicas ligadas à abertura de caminhos, proteção e perseverança — atributos que, em leituras religiosas afro-brasileiras, podem ser associados à ideia de prosperar em meio à dificuldade, qualidade frequentemente vinculada à atuação de Exu. Do ponto de vista etnobotânico e medicinal, a planta possui amplo uso tradicional entre populações indígenas e rurais. Segundo o material Nhande Pohã, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a flor da unha-de-gato é utilizada em práticas voltadas à harmonia social, sendo associada à atração de amizades e relacionamentos afetivos, além de ser empregada para aliviar estados emocionais como a raiva. Medicinalmente, a espécie apresenta propriedades anti-inflamatórias, sendo indicada para dor de garganta, e o chá da raiz é tradicionalmente usado por mulheres para o tratamento de cólicas menstruais (Nhande Pohã, MMA). Estudos acadêmicos reforçam e ampliam esses conhecimentos tradicionais. De acordo com Paula et al. (2009), as raízes de D. unguis-cati são empregadas no tratamento de hepatite, reumatismo e inflamações, enquanto as folhas são utilizadas para alergias, bronquite, diabetes e cicatrização de feridas, e o caule é associado ao fortalecimento da imunidade. Lorenzi & Matos (2002) também registram o uso das raízes contra hepatite, e Domínguez (1928) identificou na espécie a presença de flavonoides e taninos, destacando o uso do caule contra veneno de serpentes e febre. Além do valor medicinal, Ferrari et al. (1981) apontam que as raízes tuberosas podem ser consumidas como alimento quando cozidas, apresentando textura firme e sabor suave, o que demonstra o caráter multifuncional da planta nas culturas que a utilizam (Siqueira, Freitas & Périco). Salve a nossa matriarca anciã, Maria Mulambo, que traz em sua ancestralidade a força vodu de Granne Erzulie Dantor. Salve o Senhor Zé Pelintra, que em nossa rama se desdobra em sua encantaria das águas dos rios. Salve o Senhor João Caveira, que traz em sua cartola a imensidão da Calunga e a liderança do culto aos mortos da nossa rama. Aqui, as sementes falam, as reízes crescem e os ancestrais dão frutos. Thiago Blauth Ferreira, filho de Ruth Blauth Ferreira e Carlos Fernando Ferreira. Líder em terra na Rama dos 4 Caminhos. Participe, é totalmente gratuito Núcleo de estudo e pesquisa ancestral O Núcleo de Estudo e Pesquisa Ancestral é um espaço dedicado à escuta profunda, ao estudo crítico e à vivência espiritual das tradições de matriz afro-indígena por meio do reconhecimento e da valorização dos saberes ancestrais. Nosso ponto de partida é a consciência de que somos frutos de muitas camadas de tempo, história, memória e espiritualidade. Estudar o passado não é um exercício apenas intelectual, mas um mergulho vital nas forças que nos sustentam no presente. Nosso núcleo se dedica a explorar, por meio de leituras, práticas e partilhas coletivas, temas como genealogia ancestral, culto aos antepassados e ancestrais, mitologias de matriz africana e indígena, cosmogonias e cosmologias tradicionais, bem como teologias vivas e psicologias da religião a partir do olhar das próprias tradições. Valorizamos especialmente o saber que nasce da oralidade, da experiência, da ritualística e da memória encarnada nos corpos, casas, terreiros e territórios. Instagram Facebook YouTube Linktr.ee E-mail Quero participar do núcleo

Ervas de Exú na Quimbanda Gaúcha | vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata)

Ervas de Exú na Quimbanda Gaúcha - vassourinha-de-botão Spermacoce verticillata - Quimbanda em Porto Alegre 04

Ervas de Exú na Quimbanda Gaúcha | vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata) Spermacoce verticillata, conhecida como: vassourinha-de-botão, perpétua-do-mato, poaia-botão, poaia-rosário, falsa-poaia, vassourinha, erva-botão, cordão-de-frade. A vassourinha-de-botão (Spermacoce verticillata) é uma planta nativa das Américas e tradicionalmente empregada tanto na medicina popular quanto em contextos rituais afro-atlânticos. Do ponto de vista terapêutico, é reconhecida por suas propriedades anti-inflamatórias, analgésicas, antipiréticas, antimicrobianas e antioxidantes, sendo utilizada em infusões, compressas e banhos de assento no tratamento de hemorroidas, varizes, doenças de pele, distúrbios digestivos e dores menstruais. Estudos também investigam seus óleos essenciais, que apresentam atividade inseticida contra pragas agrícolas, indicando a presença de compostos bioativos capazes de atuar sobre organismos diversos — uma característica que, simbolicamente, reforça sua associação com limpeza, proteção e expulsão de agentes nocivos. Nas tradições religiosas de matriz africana, a planta é conhecida pelos nomes sagrados Iràwọ̀ Ilè e Ewé Abíkóló, sendo classificada como erva de sacudimentos pessoais e domiciliares, práticas destinadas à purificação espiritual e à reorganização das energias do corpo e do espaço. Ela pertence ao elemento fogo, o que indica seu caráter ativo, transformador e expulsivo. Dentro dos cultos bantu, está ligada a Aluvaia, enquanto nas tradições jeje-nagô e ketu é associada a Legba e Esu, e nas vertentes afro-brasileiras como Umbanda e Quimbanda, a Exu. Essas entidades são compreendidas como guardiãs dos caminhos, mensageiras entre os planos e reguladoras das trocas energéticas entre humanos, ancestrais e forças espirituais, o que explica o uso da planta em rituais de abertura, limpeza e proteção. Salve a nossa matriarca anciã, Maria Mulambo, que traz em sua ancestralidade a força vodu de Granne Erzulie Dantor. Salve o Senhor Zé Pelintra, que em nossa rama se desdobra em sua encantaria das águas dos rios. Salve o Senhor João Caveira, que traz em sua cartola a imensidão da Calunga e a liderança do culto aos mortos da nossa rama. Aqui, as sementes falam, as reízes crescem e os ancestrais dão frutos. Thiago Blauth Ferreira, filho de Ruth Blauth Ferreira e Carlos Fernando Ferreira. Líder em terra na Rama dos 4 Caminhos. Participe, é totalmente gratuito Núcleo de estudo e pesquisa ancestral O Núcleo de Estudo e Pesquisa Ancestral é um espaço dedicado à escuta profunda, ao estudo crítico e à vivência espiritual das tradições de matriz afro-indígena por meio do reconhecimento e da valorização dos saberes ancestrais. Nosso ponto de partida é a consciência de que somos frutos de muitas camadas de tempo, história, memória e espiritualidade. Estudar o passado não é um exercício apenas intelectual, mas um mergulho vital nas forças que nos sustentam no presente. Nosso núcleo se dedica a explorar, por meio de leituras, práticas e partilhas coletivas, temas como genealogia ancestral, culto aos antepassados e ancestrais, mitologias de matriz africana e indígena, cosmogonias e cosmologias tradicionais, bem como teologias vivas e psicologias da religião a partir do olhar das próprias tradições. Valorizamos especialmente o saber que nasce da oralidade, da experiência, da ritualística e da memória encarnada nos corpos, casas, terreiros e territórios. Instagram Facebook YouTube Linktr.ee E-mail Quero participar do núcleo

As raízes ancestrais estão profundamente entrelaçadas às memórias da alma. Nutrir a memória é cultuar os ancestrais.