Ervas de Exú na Quimbanda Gaúcha | poaia-branca (Richardia brasiliensis)

A poaia-branca (Richardia brasiliensis), pertencente à família Rubiaceae, é uma erva amplamente distribuída no Brasil e tradicionalmente empregada na medicina popular. Suas raízes e partes aéreas são utilizadas em infusões ou decoctos com propriedades eméticas, expectorantes, vermífugas e anti-inflamatórias, sendo indicadas em tratamentos de bronquite, gripes, distúrbios digestivos e afecções cutâneas. Preparações externas também são aplicadas em eczemas e irritações da pele, indicando um uso terapêutico associado à purificação e ao restabelecimento do equilíbrio corporal. Estudos fitoquímicos apontam a presença de compostos como flavonoides, cumarinas e ácidos fenólicos, substâncias relacionadas a atividades antioxidantes e antimicrobianas, o que ajuda a explicar parte de seu uso medicinal tradicional.

No campo ritual e teológico das tradições afro-atlânticas, essa planta também possui uma dimensão simbólica relevante. É conhecida por alguns nomes sagrados como Ìràwọ̀ Ilẹ̀ ou Ìrawọlè, expressões que remetem à ideia de “estrela da terra”. Nesse contexto, a erva é associada ao brilho espiritual, ao destaque e ao fortalecimento do destino pessoal, sendo considerada uma “folha da ascensão”. Utilizada em banhos rituais da cabeça aos pés, acredita-se que ela fortalece o Ori — princípio espiritual da consciência e do destino — favorecendo carisma, liderança e reconhecimento social.

Do ponto de vista teológico, seu uso ritual é compreendido como uma forma de alinhar a pessoa com as forças vitais da natureza. A poaia-branca é então empregada para atrair sorte, proteger a fortuna já existente e ampliar a sensibilidade espiritual, abrindo caminhos para a intuição, a vidência e a percepção sagrada. Assim, a planta não atua apenas como remédio do corpo, mas como veículo de axé, uma força vital que participa da reorganização do destino humano e da manifestação do brilho espiritual do indivíduo no mundo.

Salve a nossa matriarca anciã, Maria Mulambo, que traz em sua ancestralidade a força vodu de Granne Erzulie Dantor. Salve o Senhor Zé Pelintra, que em nossa rama se desdobra em sua encantaria das águas dos rios. Salve o Senhor João Caveira, que traz em sua cartola a imensidão da Calunga e a liderança do culto aos mortos da nossa rama.

Aqui, as sementes falam, as reízes crescem e os ancestrais dão frutos.

Thiago Blauth Ferreira, filho de Ruth Blauth Ferreira e Carlos Fernando Ferreira. Líder em terra na Rama dos 4 Caminhos.

Reino das Matas na Quimbanda - Culto a ancestrais em Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Participe, é totalmente gratuito

Núcleo de estudo e pesquisa ancestral

O Núcleo de Estudo e Pesquisa Ancestral é um espaço dedicado à escuta profunda, ao estudo crítico e à vivência espiritual das tradições de matriz afro-indígena por meio do reconhecimento e da valorização dos saberes ancestrais. Nosso ponto de partida é a consciência de que somos frutos de muitas camadas de tempo, história, memória e espiritualidade. Estudar o passado não é um exercício apenas intelectual, mas um mergulho vital nas forças que nos sustentam no presente.

Nosso núcleo se dedica a explorar, por meio de leituras, práticas e partilhas coletivas, temas como genealogia ancestral, culto aos antepassados e ancestrais, mitologias de matriz africana e indígena, cosmogonias e cosmologias tradicionais, bem como teologias vivas e psicologias da religião a partir do olhar das próprias tradições. Valorizamos especialmente o saber que nasce da oralidade, da experiência, da ritualística e da memória encarnada nos corpos, casas, terreiros e territórios.

As raízes ancestrais estão profundamente entrelaçadas às memórias da alma. Nutrir a memória é cultuar os ancestrais.