Ervas de exú na quimbanda gaúcha | Luehea divaricata, Açoita-cavalo, ivatingui, ibitinga, estriveira, salta-cavalo, pau-de-canga, estriveira

Luehea divaricata: Açoita-cavalo, ivatingui, ibitinga, estriveira, salta-cavalo, pau-de-canga, estriveira.

A Luehea divaricata, conhecida popularmente como açoita-cavalo e chamada em algumas tradições de ivitinga ou ivatingi, é uma espécie nativa amplamente distribuída no sul e sudeste do Brasil. No campo etnobotânico, destaca-se como planta de múltiplos usos, articulando medicina popular, práticas indígenas e sistemas rituais afro-brasileiros.

A casca e as folhas apresentam propriedades tradicionalmente reconhecidas como adstringentes, anti-inflamatórias, antimicrobianas e cicatrizantes. Na medicina popular, são empregadas no tratamento de reumatismo, bronquite, gastrite, disenteria, infecções de garganta, feridas e úlceras.

Entre povos indígenas do Paraná e de Santa Catarina, há registros do uso da casca e das folhas tanto para fins terapêuticos quanto cosméticos, incluindo a descoloração dos cabelos. O nome “açoita-cavalo” remete à flexibilidade de seus galhos, historicamente utilizados como chicotes para condução de animais — característica que, no imaginário simbólico, associa a planta à ideia de correção, força e direcionamento.

Estudos científicos ainda são incipientes, mas pesquisas in vivo indicam potencial analgésico (inclusive na dor neuropática) e possíveis efeitos neuroprotetores, sugerindo que o conhecimento tradicional pode guardar fundamentos empíricos relevantes.

Sua função ritual está associada à quebra de amarrações, à dissolução de influências negativas e à abertura de caminhos. A própria etimologia indígena (ivatingi, por vezes interpretada como “fruto-que-aborrece”) pode ser lida simbolicamente como aquilo que repele, que incomoda forças indesejadas, que não permite fixação.

Salve a nossa matriarca anciã, Maria Mulambo, que traz em sua ancestralidade a força vodu de Granne Erzulie Dantor. Salve o Senhor Zé Pelintra, que em nossa rama se desdobra em sua encantaria das águas dos rios. Salve o Senhor João Caveira, que traz em sua cartola a imensidão da Calunga e a liderança do culto aos mortos da nossa rama.

Aqui, as sementes falam, as reízes crescem e os ancestrais dão frutos.

Thiago Blauth Ferreira, filho de Ruth Blauth Ferreira e Carlos Fernando Ferreira. Líder em terra na Rama dos 4 Caminhos.

Reino das Matas na Quimbanda - Culto a ancestrais em Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Participe, é totalmente gratuito

Núcleo de estudo e pesquisa ancestral

O Núcleo de Estudo e Pesquisa Ancestral é um espaço dedicado à escuta profunda, ao estudo crítico e à vivência espiritual das tradições de matriz afro-indígena por meio do reconhecimento e da valorização dos saberes ancestrais. Nosso ponto de partida é a consciência de que somos frutos de muitas camadas de tempo, história, memória e espiritualidade. Estudar o passado não é um exercício apenas intelectual, mas um mergulho vital nas forças que nos sustentam no presente.

Nosso núcleo se dedica a explorar, por meio de leituras, práticas e partilhas coletivas, temas como genealogia ancestral, culto aos antepassados e ancestrais, mitologias de matriz africana e indígena, cosmogonias e cosmologias tradicionais, bem como teologias vivas e psicologias da religião a partir do olhar das próprias tradições. Valorizamos especialmente o saber que nasce da oralidade, da experiência, da ritualística e da memória encarnada nos corpos, casas, terreiros e territórios.

As raízes ancestrais estão profundamente entrelaçadas às memórias da alma. Nutrir a memória é cultuar os ancestrais.