Ervas de exú na quimbanda gaúcha | Elephantopus mollis (Kunth) erva-do-diabo, erva-de-veado, erva-de-colégio, lingua-de-vaca

Elephantopus mollis (Kunth): erva-do-diabo, erva-de-veado, erva-de-colégio, lingua-de-vaca // Banho frio para acalmar cabeça quente. Banho quente, auxilia na purificação e fortificará em cumprir as obrigações. Também associada a Exú e Omulu, utilizada em sacudimentos, em pó para trabalhos de Exú, e para banhos de descarrego.

No processo formativo do quimbandeiro, o conhecimento sobre o uso das ervas ocupa um lugar central. O trabalho com plantas não se limita à dimensão prática dos rituais — como cura, defesa, ataque, desmanche de feitiços ou processos iniciáticos (banhos, firmezas e assentamentos) —, mas constitui um saber cosmológico que articula natureza, espiritualidade e território.

Embora existam ervas consideradas sagradas e de difícil acesso, a experiência ritual demonstra que grande parte dos recursos necessários pode ser encontrada no próprio entorno urbano. Isso evidencia uma característica importante das tradições afro-diaspóricas: a capacidade de adaptação ecológica e simbólica aos contextos regionais.

A regionalidade, portanto, influencia diretamente o repertório ritual, já que fatores climáticos e ambientais determinam a disponibilidade das espécies vegetais. Assim, o aprendizado do uso das ervas não é apenas técnico, mas envolve a leitura do território e a construção de uma relação contínua com o ambiente.

Sob essa perspectiva, o domínio das ervas pode ser compreendido como um resgate — ou reatualização — de saberes ancestrais ligados à natureza. Diversos povos indígenas preservaram, ao longo de séculos, conhecimentos aprofundados sobre o uso ritual e medicinal das plantas. Nesse sentido, a Quimbanda, como tradição afro-brasileira, também se insere nesse amplo campo de saberes tradicionais que articulam espiritualidade, ecologia e ancestralidade.

Salve a nossa matriarca anciã, Maria Mulambo, que traz em sua ancestralidade a força vodu de Granne Erzulie Dantor. Salve o Senhor Zé Pelintra, que em nossa rama se desdobra em sua encantaria das águas dos rios. Salve o Senhor João Caveira, que traz em sua cartola a imensidão da Calunga e a liderança do culto aos mortos da nossa rama.

Aqui, as sementes falam, as reízes crescem e os ancestrais dão frutos.

Thiago Blauth Ferreira, filho de Ruth Blauth Ferreira e Carlos Fernando Ferreira. Líder em terra na Rama dos 4 Caminhos.

Reino das Matas na Quimbanda - Culto a ancestrais em Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Participe, é totalmente gratuito

Núcleo de estudo e pesquisa ancestral

O Núcleo de Estudo e Pesquisa Ancestral é um espaço dedicado à escuta profunda, ao estudo crítico e à vivência espiritual das tradições de matriz afro-indígena por meio do reconhecimento e da valorização dos saberes ancestrais. Nosso ponto de partida é a consciência de que somos frutos de muitas camadas de tempo, história, memória e espiritualidade. Estudar o passado não é um exercício apenas intelectual, mas um mergulho vital nas forças que nos sustentam no presente.

Nosso núcleo se dedica a explorar, por meio de leituras, práticas e partilhas coletivas, temas como genealogia ancestral, culto aos antepassados e ancestrais, mitologias de matriz africana e indígena, cosmogonias e cosmologias tradicionais, bem como teologias vivas e psicologias da religião a partir do olhar das próprias tradições. Valorizamos especialmente o saber que nasce da oralidade, da experiência, da ritualística e da memória encarnada nos corpos, casas, terreiros e territórios.

As raízes ancestrais estão profundamente entrelaçadas às memórias da alma. Nutrir a memória é cultuar os ancestrais.