Ervas de Exú na Quimbanda Gaúcha | parreirinha, parreirinha-do-mato, cambará-de-cipó, uva-do-mato (Baccharis anomala)

A Baccharis anomala, conhecida popularmente como parreirinha, parreirinha-do-mato, cambará-de-cipó, uva-do-mato e, em contextos rituais do sul do Brasil, como erva-da-jurema, pertence a um gênero profundamente associado tanto à medicina quanto à espiritualidade. O nome Baccharis carrega um significado simbólico importante: pode derivar do latim baccar ou do grego bakkaris, referindo-se a uma planta de raiz aromática, o que já indica sua ligação ancestral com o uso ritual e com a manipulação de essências e perfumes. Esse caráter aromático e energético atravessa seu uso tradicional, onde a planta não é apenas matéria, mas também veículo de força vital e espiritual.

Do ponto de vista medicinal, a Baccharis anomala é reconhecida como uma planta de grande potência terapêutica. Os estudos indicam a presença de compostos como taninos, catequinas e saponinas, associados a diversas propriedades biológicas, incluindo atividade antiviral significativa, sendo capaz de inibir a replicação de vírus como o herpes simplex. Popularmente, é utilizada como diurética, tônica e febrífuga, devido ao seu princípio amargo característico, atuando no equilíbrio do organismo físico. Esse duplo aspecto — químico e energético — reforça a visão tradicional de que a cura não se limita ao corpo, mas envolve também dimensões sutis do ser.

No campo ritual, especialmente nas tradições afro-ameríndias, a Baccharis anomala assume um papel de destaque como erva de descarga espiritual, sendo utilizada em banhos para limpeza e descarrego, como observado em comunidades como o Morro da Cruz, em Porto Alegre. Sua associação com o nome “erva-da-jurema” evidencia sua inserção em sistemas simbólicos ligados à comunicação com o invisível e ao culto ancestral. Esse uso dialoga diretamente com práticas indígenas, como as do povo Pankararu, onde espécies do gênero Baccharis são amplamente utilizadas tanto para fins ritualísticos quanto medicinais, sendo consideradas ferramentas de cura e conexão espiritual. Assim, a Baccharis anomala se revela como uma planta de fronteira: entre o corpo e o espírito, entre a ciência e o sagrado, entre o presente e a memória ancestral.

Salve a nossa matriarca anciã, Maria Mulambo, que traz em sua ancestralidade a força vodu de Granne Erzulie Dantor. Salve o Senhor Zé Pelintra, que em nossa rama se desdobra em sua encantaria das águas dos rios. Salve o Senhor João Caveira, que traz em sua cartola a imensidão da Calunga e a liderança do culto aos mortos da nossa rama.

Aqui, as sementes falam, as reízes crescem e os ancestrais dão frutos.

Thiago Blauth Ferreira, filho de Ruth Blauth Ferreira e Carlos Fernando Ferreira. Líder em terra na Rama dos 4 Caminhos.

Reino das Matas na Quimbanda - Culto a ancestrais em Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Participe, é totalmente gratuito

Núcleo de estudo e pesquisa ancestral

O Núcleo de Estudo e Pesquisa Ancestral é um espaço dedicado à escuta profunda, ao estudo crítico e à vivência espiritual das tradições de matriz afro-indígena por meio do reconhecimento e da valorização dos saberes ancestrais. Nosso ponto de partida é a consciência de que somos frutos de muitas camadas de tempo, história, memória e espiritualidade. Estudar o passado não é um exercício apenas intelectual, mas um mergulho vital nas forças que nos sustentam no presente.

Nosso núcleo se dedica a explorar, por meio de leituras, práticas e partilhas coletivas, temas como genealogia ancestral, culto aos antepassados e ancestrais, mitologias de matriz africana e indígena, cosmogonias e cosmologias tradicionais, bem como teologias vivas e psicologias da religião a partir do olhar das próprias tradições. Valorizamos especialmente o saber que nasce da oralidade, da experiência, da ritualística e da memória encarnada nos corpos, casas, terreiros e territórios.

As raízes ancestrais estão profundamente entrelaçadas às memórias da alma. Nutrir a memória é cultuar os ancestrais.